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Titicaca e Copacabana na Bolívia

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O que fazer? Um casal de estudante sem internet, sem TV e sem computador em um feriadão na cidade de Cochabamba? Tinha visto algumas imagens do país e já estava com aquela vontadezinha de conhecer novos lugares, mais quebrado que arroz de terceira, com pouquiiisssssimo dinheiro resolvemos colocar a mochila nas costas e conhecer outra cidade. Local de destino, Copacabana e o lago Titicaca.


O lago Titicaca que fica na cordilheira dos Andes tem 2 donos, de um lado a Bolívia, de outro o Peru, na beira do lago a cidadezinha de Copacabana, um pouco mais de 3.800 metros acima do nível do mar e 155 Km de La Paz, já na fronteira com o Peru.


Copacabana na Bolívia, pois é! Uma réplica da imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi levada por comerciantes espanhóis desta cidade, Copacabana, ao Rio de Janeiro onde foi criada uma pequena igreja para abrigá-la. A igreja cresceu e acabou por nomear o atual bairro de Copacabana. Por esta você não sabia! Vivaldoalmeida.com também é cultura.


A brincadeira começou saindo daqui para La Paz, não há ônibus direto de Cocha, uma dica para outro quebrado que quer conhecer alguma cidade boliviana é: Não compre passagem antecipada, aqui a concorrência é braba, tem várias empresas e vários destinos iguais, quando está próximo do horário de saída do ônibus e ainda tem poltrona livre fica a maior gritaria no terminal, funcionários das empresas disputam cliente no grito e oferecem desconto que chega fácil aos 50%, não tem como faltar passagem, o máximo que pode acontecer é de ter que esperar uma horinha no terminal, se não estiver muito frio até que é divertido ver as bolivianas desfilando com seus dentes de ouro e seus filhos amarrados nas costas. Comprei a passagem da Bolivar, uma empresa que tem ônibus que vai para La Paz em cada meia hora, paguei 60 bol, cerca de R$ 20,00 por uma poltrona semi cama, muito confortável em uma viagem de um pouco menos de 400 Km e mais de 7 horas.


A paisagem de Cocha é um espetáculo, situada em um vale cercada pela serra de Tunari e durante a subida até o altiplano, e bote ALTI nisso, a paisagem continuou dando um show, foram quase 2 horas até passamos dos 4.000 metros de altitude por uma estrada sem acostamento com um motorista que dirigia no modo adrenalina, cada ultrapassagem era um flash.


O altiplano quebra todo o clima da paisagem, é chato, árido, com povoados que a gente fica se perguntando: "Como é possível uma pessoa morar em um lugar como este?". Paramos em um "restaurante" onde o povo desce para comer, beber e/ou ir ao banheiro. Este é o momento que fico maravilhado com o poder de adaptação do ser humano, o banheiro PODRE e o povo local na maior naturalidade, os guerreiros bolivianos ainda comiam e bebiam de coisas que não consegui descobrir, sabendo da minha frágil condição - se colocasse qualquer coisa daquela na boca seria infecção generalizada - levamos uma mochila só com comida e bebida de minha confiança. Se também tem esta preocupação (frescura), não esqueça de levar sua marmita!


Próximo a La Paz a paisagem voltou a dar o ar da graça, as montanhas com seus picos de neve nos acompanharam durante todo o final da primeira parte da viagem. La Paz me fez relembrar o motivo de não gostar de cidade grande, o maior engarrafamento, trufi para todo o lado, transito caótico.


Chegamos tarde e próximo ao terminal existem muitos alojamentos, cada um pior que o outro, mas, baratinho. Paguei 80 bolivianos - casal - para tomar um banho rápido, pois estava muito frio e a água não esquentava direito e para dormir em uma cama com cara de que não foi trocada. Foi uma noite horrível. Outro dia pela manhã cedo partimos para Copacabana, paguei 35 bol pela passagem.


O tipo de vegetação, a região montanhosa e o lago me lembrou muito as ilhas gregas, a diferença maior ficou por conta da cor da água e algumas montanhas cobertas de neve que um toque diferente na paisagem da Bolívia. Chegando em Copacabana, a surpresa, sabia que estávamos em um feriadão - 06 de Agosto, uma segunda, independência da Bolívia - só que não esperava com o dia da Virgem de Copacabana que juntos deixaram a cidade um inferno, não conseguimos um local para dormir até que um cara de uma pousada disse: "Eu consigo um alojamento diferente para você, custará 60 bol por pessoa". Desesperado e com medo de não encontrar outro lugar, já que a cidade estava entupida de gente, acabei aceitando. Rapaz.... O quarto era todo de vidro com uma cortina bem fina que só não adiantava muito deixar aberta ou fechada, de fora dava para ver tudo dentro do quarto e pela manhã acordava com os raios do sol por trás das montanhas.


Além da festa, estava tendo uma feira que tomava conta da rua de 60% da cidade, encontramos de tudo, compramos um cobertor muito brega, todo colorido, mas, quentinho para passar a noite fria e no dia seguinte fizemos a viagem toda de volta, desta vez pagamos menos nas passagens, 20 bol para La Paz e 50 bol para Cocha. No total, não gastamos 200 reais - o casal - para passar 3 dias e 2 noites fora e ter história para contar.

Mais imagens da viagem.

Vivaldo no terminal de La Paz comendo um friozinho de 1°.

Estreito de Tiquina, atravessamos para chegar a Copacabana.

Embarcação que os passageiros usam para atravessar o estreito, interessante é que descemos do ônibus, pagamos 1,50 bol - por pessoa - e atravessamos, do outro lado aguardamos a chegada do ônibus que atravessa em outro tipo de embarcação.

Vista do outro lado do Morro do Calvario de Copacabana.

Pôr do sol da Horca Del Inca, onde qualquer fileira de pedra dizem que foi feito pelos incas.

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