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Brotas Briga, Stella Maconha

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Vou contar um fato bem interessante aconteceu na minha adolescência.

Morei em Brotas, bairro de Salvador, dos 14 aos 17 anos, uma ou duas vezes ao mês tinha briga e quando juntavam uns 3 ou 4 amigos era briga na certa. O pessoal brigava com qualquer um que passasse por lá, era só não ir com a cara, coisa de adolescente querendo ser homem. Se alguém estivesse andando na rua de cabeça baixa apanhava para deixar de ser otário, outros apanhavam simplesmente porque passou “tirando onda” (de cabeça erguida).

Os amigos me chamavam mas nunca participei e não apoiava as brigas, nunca entendi o motivo de tanta violência e talvez por índole ou por imaginar.... "E se eu apanhasse de graça?" acho que voltaria depois com um pedaço de pau cheio de prego e ficava na esquina esperando o cara que me bateu passar e dava tanta paulada. É meu amigo, quem bate esquece e é capaz do "coitado" nem saber o motivo da surra. Outro fator muito importante para correr de briga é: Onde há briga não há mulher, então deixa os bombadão fedorento se agarrar com os caras e fique dando apoio a mulherada!

Certa vez nos mudamos para um conjunto em Stella Mares, meu sonho, perto da praia com onda frequente, surf em qualquer horinha de folga. Logo na primeira semana precisei sair e só voltei a noite para o conjunto, logo na entrada, na praça principal, estavam sentados em um banco uns 5 a 6 caras tudo de cabelão, surfistão e tal. Ainda de longe vi uns 2 olhando para mim, pensei "Os caras vão querer encrencar". Nunca precisei brigar na rua – mesmo com algumas medalhas de ouro em campeonato juvenil de karatê, arte marcial era meio de sobrevivência em Brotas – nunca bati em ninguém e agora vou apanhar de 5.

Passando pelo outro lado da rua (claro!) um cara me chamou (FUDEU, vou apanhar! Suspeitei desde o princípio!), “ô véio!” eu fiz de conta que não ouvi. Logo depois outro “ô véio, é você mesmo!”. Lascou, como lá em Brotas passando de cabeça baixa ou erguida o povo apanhava do mesmo jeito, resolvi encarar (mesmo querendo correr) e apanhar com honra, de cabeça erguida. Com aquela cara de poucos amigos e tentando não demonstrar o medo, respondi “colé?”. O cara ficou sem entender direito o motivo do meu tom ríspido e rude e perguntou, “tem isqueiro aí?”, “você é novo aqui, né? fique aqui com a galera!”.

Depois que o cara disse isso minha perna começou a tremer, achei que ia tomar uma surra e o cara só queria fazer amizade, fui falar com o povo. Os caras só queriam ascender um cachimbo da paz e estavam com preguiça de pegar o fogo em casa. Foi tenso!

Resumindo a história, sabe aquele cara que roubou, matou e brigou e todos dizem que estava drogado? Pode ter usado tudo, menos maconha. Acredite! E se você vê um grupo de maconheiro fumando no banco da praça não tenha medo, se quiser, pode até chegar perto e pedir um que o pessoal divide na paz. Pode crê!

Na nossa impecável sociedade moralista de valores inversos mais vale um bêbado brigão do que um maconheiro safado que quer curtir na paz.

Estava fazendo o post acima, que não vai demorar a sair, e lembrei-me deste episodio, para não esquecer resolvi mandar logo esse.

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